1 de janeiro de 2010

Em Volta do Vinho - Renato Machado


Acabo de ler o livro "Em Volta do Vinho" do jornalista, enófilo e gourmet Renato Machado; presente de natal que ganhei da minha irmã.

A fama do Renato Machado apresenta, a meu ver, aspectos conflitantes. Explico-me: embora ele seja bem conhecido (principalmente por ser um jornalista da Rede Globo), assine colunas em jornais e revistas e uma tenha coluna na CBN, sempre ouvi comentários negativos a seu respeito. A maioria sobre sua "chatice" ou "arrogância", não sei até que ponto uma coisa se confunde com a outra. Pessoalmente, não tenho opinião, exceto a de que os vinhos que ele normalmente comenta não estão na faixa de preço das minhas aquisições, ou em bom português, não são para o meu bico!

Mas apesar da minha desconfiança ao iniciar a leitura do livro, devo admitir que gostei do mesmo. E a maior razão é que o Renato não tenta criar uma enciclopédia com dicas de vinhos, ele reuniu crônicas sobre o "néctar dos deuses" organizadas em uma seqüência mais ou menos lógica. A idéia era escrever como um autor sobre vinhos e não um crítico gastronômico. O resultado é um livro interessante, com histórias sobre rótulos e regiões e comentários sarcásticos (às vezes arrogantes, sim) sobre a culinária e os modismos relacionados ao vinho. Há um certo lirismo no texto. Falta-lhe técnica, como escritor; ou talvez seja o modo como o livro está organizado (as crônicas não foram escritas para compor uma obra única). Mas esse "lirismo", essa "poesia" foi o que mais me atraiu.

Confesso que me canso, às vezes, da maneira sempre objetiva dos guias e blogs de vinho (incluindo o meu!). Local, uva, vinícola, preço... acho que o vinho traz certo romantismo que não deveria ser perdido. O vinho é arte e deve ser apreciado como tal. Por isso tento indicar o contexto em que tomei o vinho, com que amigos, etc., trazendo o leitor para mais perto da minha intimidade. Isso é feito por vários outros blogueiros, criando um clima amigo... e não é feito por vários outros, claro. E há aqueles que misturam as coisas de maneira divertida e exemplar (veja por exemplo o Le Vin au Blog, do Claudio e da Rafaela). A "brincadeira" da Confraria Brasileira de Enoblogs criada pelo Gil (Vinho para Todos) e pelo Leonardo (Viva o Vinho) brinda à amizade!

Enfim, pode ser que existam os românticos e os práticos (acho que estou no meio do caminho! rsrs). Pode ser que ser objetivo garanta mais publicidade e visitas aos blogs e sites. Pode ser que tudo isso se complemente, como quase tudo na vida. Enquanto não tenho a resposta, indico o livro do Renato Machado, como leitura descontraída e informativa sobre regiões vinícolas e o mundo do vinho. Mas não deixarei de comprar o guia de vinhos do Hugh Jonsohn, quando o encontrar na prateleira da livraria!

Esse ano espero contar com suas visitas e comentários no De Vinho em Vinho, como no ano passado! Um feliz 2010 pra você!!!

6 comentários:

Anônimo disse...

Gostei do teu post Rafael, e acho que voce tem razao, um bom vinho nao deve ser caro, porem tem que "contar uma historia (ou seria estoria?) Muitas vezes vinhos produzidos por grandes vinicolas sao imensamente manipulados e quase nao se pode diferenciar uma safra da outra, sao vazios, sem alma: um produto comercial. A industria vinicola esta passando por uma revolucao na qual pouco ou nada deva ter chegado ao Brasil: vinhos produzidos por pequenos produtores que preocupam com a qualidade e a autenticidade. Vinhos que sao produzidos sem manipulacao, sem intervensao, sem adicionar nem remover nada durante o processo. Vinhos que sao fermentados com levedura silvestre (levure indigene) e principalmente, um vinho que tenha as caracteristicas da cepa(s) utilizada como da regiao de origem. Mais ainda, um vinho que carrega consigo a energia da pessoa/familia que o produzio: os temores e as preocupacoes durante todo um ciclo vegetativo em fazer sempre o melhor para produzir o melhor vinho possivel. Tais vinhos nos enaltecem e nos emocionam ao ponto de que se temos algo a falar/esrever/comentar, nao poderia ser de uma forma estereo e chata, e sim poetica.
Saude e Feliz ano novo!
savio
savinho.com

Marcus disse...

Opa Rafael,

Bom o seu texto. Eu tenho a mesma dúvida sobre o Renato Machado, e acho q ele próprio tem alguma crise existencial sobre isso, pois seus comentários oscilam um pouco.

Outra obra dele, muito interessante, é um DVD que fala (por meio de entrevistas, visitas, degustações etc) sobre as principais regiões vinícolas da França. Não me lembro o título (não estou com ele em mãos neste momento), mas é muito bem feito, com imagens belíssimas e um texto interessante, vale à pena.

Abs.,
Marcus
www.azpilicueta96.blogspot.com

Rafael Loyola disse...

Olá Savio e Marcus!
Obrigado pelo comentário...

Savio, concordo plenamente e acho sua iniciativa excelente! Parabéns pelo trabalho e pelo site! Vou divulgar a iniciativa que já é sucesso.

Marcus, obrigado pela dica. Vou procurar saber mais e conseguir o DVD. Abração!

Marcus disse...

Opa Rafael,

Agora em casa, e com o dvd em mãos... O título é Reserva Especial. Tem 4 filmes, sobre Champagne, Bordeaux, Bourgogne e Alsacia, além de alguns extras.

Abs.,
Marcus

Rafael Loyola disse...

Oi Marcus!

Obrigado pelo titulo do DVD. Vou procurar por aki!

Grande abraço,
Rafael.

Leonardo de Araújo disse...

Caro Rafael,
Ainda que eu tenha sido o primeiro convidado para a Confraria Brasileira de Enoblogs, o Gil é que tem todos os méritos. Ele é muito organizado e motivado e tocou a Confraria até aqui.
Pra não dizer que não ajudei em nada, ainda não vi ninguém que tenha usado o termo "enoblog" antes de mim.
Quanto ao assunto enochato, é um perigo mesmo. Temos de nos policiar para não ficar dando a descrição fria só, como a maioria das publicações por aí.
Não é sempre que conseguimos deixar a objetividade de lado um pouco para "viajar" no vinho ao escrever no blog.
Sua reflexão é importantíssima e me pôs a pensar sobre minhas postagens.
Brindes
Leonardo
vivaovinho.blogspot.com

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