30 de maio de 2009

Bodegas de Los Herederos Del Marqués De Riscal Reserva Rioja 1989


Após minha desilusão com o vinho do Alentejo, minha alma elevou-se novamente com um vinho espanhol espetacular. Nada menos que um Rioja de 20 anos!! Isso mesmo... um Marqués de Riscal da safra de 1989!

Patty e eu havíamos combinado com uns amigos de tomarmos uns vinhos aqui em casa, em Goiânia. De repente, chega meu amigo Marcus Cianciaruso com dois vinhos que ele havia herdado da adega do avô, em São Paulo, entre eles essa preciosidade! O outro (um italiano) eu comentarei em um momento oportuno... 

Esse vinho aqui é elaborado pelo produtor mais antigo de Rioja, uma região no nordeste da Espanha, onde a uva Tempranillo é a estrela maior. Neste caso particular, o vinho é elaborado com 90% Tempranillo e 10% de Graziano e Mazuelo. Além disso, esse vinho fica 24 meses em barricas de carvalho americano. Marqués de Riscal é uma vinícola também indicada como uma das melhores de Rioja e, para completar, meu guia de vinhos do Hugh Johnson, indicava que a safra de 1989 havia sido excelente! Não tinha como dar errado.

Começamos retirando a rolha delicadamente, mas apesar de todo nosso cuidado o esperado aconteceu: a rolha partiu-se na base. Deixei o que restou da mesma escorregar pelo gargalo, e verti o vinho no decanter, com cuidado para não deixar passar os resíduos da rolha. Após uns 15-20 de espera e liberdade para o vinho, degustamo-lo (isso foi bonito, hein?) à uma temperatura de 18ºC.

A cor era vermelha e acastanhada ao mesmo tempo. O vinho tinha, é claro, todas as características de um vinho maduro: reflexos em laranja, halo aquoso bem desenvolvido e cor de tijolo e uma cor que ia do vermelho ao marrom claro. No nariz... uma explosão de aromas: iniciamente alguma fruta, mas na verdade tudo muito maduro e seco, lembrando geléia, fruta passa e nozes/côco. Depois o que sobrava no vinho: aromas de baunilha, especiarias, café, e algo que me lembrou vinho do porto. O álcool estava em sintonia perfeita com a acidez e a madeira só acrescentava mais elegância ao conjunto. Na boca, taninos presentes, mas macios e aveludados, um retrogosto tostado, lembrando tabaco e um final longo e persistente. Memorável! Impossível não dar 5 taças!



27 de maio de 2009

Adega Coop. Borba Reserva 2001


Pois é... esse vinho me decepcionou! Acontece, especialmente quando você compra o vinho com certa expectativa... comprei esta garrafa em Portugal, agora em março, e estava esperando uma ocasião interessante para degustá-la. Num desses fins de semana de maio viajei com a Patty para Brasília, para passarmos um tempo com um casal de amigos, o Mário e a Aninha. Levei o vinho e havíamos combinado de tomá-lo à noite.

Pois bem, o vinho é produzido pela Adega Cooperativa de Borba, na região do Alentejo, em Portugal. As uvas usadas na elaboração são a Trincadeira, Aragonês, Castelão e Alicante Bouschet. Além disso, durante a elaboração o vinho fica 12 meses em barricas de carvalho e mais 6 meses em garrafa na cave, antes de ser comercializado.

Mas a razão da minha decepção concentra-se em duas coisas: (1) que acho que o vinho passou do ótimo e (2) havia degustado um vinho mais simples da mesma vinícola e não havia gostado (relembre). Você encontra o mesmo vinho da safra de 2003 disponível, e talvez ele seja um vinho melhor. No caso desse, a cor era rubi claro, quase âmbar e com reflexos alaranjados. Suas aromas lembravam frutas maduras e geléia, mas tudo muito discreto... e o álcool encomodava o nariz. Na boca, o álcool continuava forte, com retrogosto amadeirado, mas um amargor que realmente estragou todo meu paladar. Enfim, o vinho pareceu-me desequilibrado, com álcool em destaque, amargor exagerado e acidez fora de lugar, picando as laterais da língua - passou do ponto. 

É sabido que a máxima "Vinho quanto mais velho, melhor!" é uma bobagem, pois há vinhos que têm estrutura para envelhecer e outros que não. Nesse caso, claramente, o vinho não aguentou. O curioso é que, pelo menos da safra de 2003, só encontrei bons comentários - tenho que provar outra garrafa, a questão é que não tenho coragem de comprá-la (no Brasil o preço gira ao redor dos R$70) após estas experiências com a vinícola!



24 de maio de 2009

Miolo Reserva Cabernet Sauvignon 2006


Olá amigos... antes de mais nada uma explicação: ando resolvendo um monte de coisas na Universidade e com pouco tempo para postar, embora venha experimentando vinhos interessantes. Assim, com um pouco de paciência, vocês encontrarão posts mais seguidos a partir de junho! =)

Para começar a colocar os vinhos degustados em dia, escolhi esse Miolo Reserva Cabernet Sauvignon 2006. Já estive para comprar a garrafa algumas vezes (que nos supermercados costuma variar de R$30-40 reais), mas por alguma razão ainda não o havia provado. Agora em maio ganhei uma garrafa do meu amigo e aluno de doutorado Ricardo Dobrovolski!

Trata-se de um vinho conhecido, elaborado pela vinícola Miolo, com uvas do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul. Como é um vinho Reserva, as uvas ficam em média 6 meses em barricas de carvalho francês e americano. O resultado é um vinho agradável, de cor rubi e halo aquoso pequeno e tendendo ao laranja - sinal de sua discreta evolução. No nariz os armomas são de frutas vermelhas maduras, geléia de frutas, madeira e chocolate (após algum tempo na taça). Contudo, o álcool pica um pouco. Na boca, é tânico, com boa presença, acidez controlada e álcool também com algum destaque. Fica melhor um pouco mais resfriado (16ºC), mas o final é médio e amadeirado. 


8 de maio de 2009

Aurora Reserva Chardonnay 2005


Particularmente, eu tomo poucos vinhos da vinícola Aurora. Não sei se por falta de costume ou por encontrar mais vinhos da Miolo, Casa Valduga ou Salton, que me atraiam. Já comentei aqui um vinho da linha varietal da mesma vinícola (relembre) e um branco de colheita tardia (relembre). Seja lá o que for, tomei esse Aurora Reserva Chardonnay 2005 e agora resolvi colocá-lo aqui no De Vinho em Vinho.

Os Chardonnay que passam por barricas de carvalho, como este, andaram com má fama devido ao tratamento que lhe é dado na Califórnia. Ali, o vinho fica muito tempo em contato com a madeira deixando-o quente, enjoativo e com sabor de manteiga, como muitos relatam. Não sei se a fama se espalhou aqui no Brasil (não tenho competência para avaliar isso na verdade! rs)...

Esse aqui foi uma experiência agradável. O vinho tem cor amarelo ouro, com reflexos também dourados. Seus aromas lembram frutos brancos maduros, como o abacaxi. Há também boa presença da madeira, sugerindo um aroma tostado. O rótulo indica aromas herbáceos, mas não consegui percebê-los. O que aparece depois de certo tempo é um aroma doce, lembrando amêndoa ou coco. Na boca é um vinho refrescante por sua acidez e com retrogosto amadeirado e algum amargor. Combina bem com queijos leves e de massa mole e peixes grelhados ou com molho branco. É uma boa opção de branco para o dia-a-dia, custando entre R$18-25.


2 de maio de 2009

Miolo Gamay 2009


Este é o 29º vinho avaliado pela Confraria Brasileira de Enoblogs, uma brincadeira divertida criada pelo Gil (Vinho para Todos) e pelo Leonardo (Viva o
Vinho). A cada mês um blog participante sugere um vinho e todos os outros postam seus comentários de maneira independente. Esse mês a escolha foi feita pelo Marcus (do Azpilicueta). Confira os comentários dos outros blogueiros, acessando o Enoblogs.

Pois muito bem, o Miolo Gamay 2009 foi amplamente divulgado com sua campanha de marketing dedicada que vai desde um rótulo e uma caixa bem cuidada (a ilustração é assinada pelo pintor e escultor brasileiro Romero Britto) até a contratação especial do francês Henry Marionnet, conhecido como "o papa do Gamay", para a elaboração do vinho, que é desse ano. Isso lembra-me toda a propaganda que gira em torno do Beaujolais noveau, na França. Alías, a uva Gamay é muito conhecida por ser a variedade usada nesses famosos vinhos da região de Beaujolais (lê-se bojolé). A região produz vinhos franceses leves e com pouco tanino (relembre o último avaliado no De Vinho em Vinho, clicando aqui). Há quem diga que os Beaujolais são os tintos mais brancos que existem... piadinhas a parte, esperava, portanto, que este vinho da Miolo, mesmo com uvas plantadas na Campanha Gaúcha, remetesse-me a esse vinho francês.

Isso de fato aconteceu. O Gamay 2009 da Miolo é um vinho de cor vermelho púrpura, com aromas de frutas vermelhas frescas, como morango e cereja. Há algo docinho, mas não que chega a lembrar os vinhos que estagiaram em madeira. Na boca, é leve e com taninos muito sutis - como esperado. A acidez também é marcante, tornando-o um vinho refrescante. O final é curto, mas agradável e frutado. É um vinho simples, mas que tem uma vantagem: deve agradar a muita gente em sua casa. Se for tomado só com aperitivos chamará a atenção por sua leveza. Os mais exigentes deverão achá-lo fraquinho. Mas, porque ele não tem defeitos e traz alegria à mesa, para mim é um vinho bom, custando cerca de R$20-28. Beba gelado (entre 9-12º)!

NOTA: Tive a oportunidade de tomar o vinho outras duas vezes, degustando-o ao lado de outros, em ocasiões diferentes. Em todas elas o vinho pareceu-me muito fraquinho, sem presença e demasiadamente simples. Poucas vezes fiz isso aqui no Blog, mas fui obrigado a baixar minha avaliação, considerando-o apenas razoável.

Related Posts with Thumbnails