17.7.09

Real Forte 2005


Estou essa semana em Belo Horizonte (MG), visitando minha família e o primeiro vinho desses dias foi o Real Forte 2005. Minha mãe, bem mineira, ia fazer medalhão de lombo assado com couve, tutu de feijão e arroz branco. Assim, queria um vinho que harmonizasse bem com carne de porco e, dentre algumas opções que me vieram à mente, me interessei pelos vinhos do Alentejo, em Portugal. Essa região tem uma culinária que se beneficia da carne suína e, portanto, a opção seria interessante.

Não tive muito tempo para procurar, mas encontrei esse vinho tinto regional alentejano, por R$20. O vinho é elaborado com as uvas Aragonês, Castelão e Trincadeira, sendo assinado pela Adega Cooperativa Borba - Enoforum.

Pois bem, o vinho não correspondeu às minhas expectativas. Na taça, o vinho tem cor vermelho-claro, com certa transparência, indicando seu pouco corpo. No nariz, há alguma fruta fresca, mas com discrição e sem nenhum entusiasmo. Na boca, o vinho é fraco, aguado e com acidez fora do ponto. Os taninos estão escondidos, e as notas de frutas são muito discretas. Com a comida, ficou um pouco melhor, ressaltando o medalhão, mas mesmo assim esperava um pouco mais. Não compro outra garrafa, aliás, não deveria ter pago mais que R$12 por essa aqui. Realmente não dou sorte com esse produtor, relembre minhas más experiências clicando aqui e aqui.

11.7.09

La Quercia Piemonte DOC Barbera


Tomei esse vinho outro dia com o Daniel Brito e a Monik aqui em casa, em Goiânia.

O vinho é elaborado pela Casa Vinicola Bennati, localizada na província de Verona, Vêneto (Italia). Nesse caso particular, o vinho é feito com 100% uvas Barbera, talvez a uva mais popular da região de Piemonte (Denominação de Origem Controlada, DOC), no noroeste da Itália. Essa região abriga outras regiões vinícolas importantes como Barolo e Barbaresca. O Piemonte limita-se ao norte com o Alpes (daí o nome, "aos pés dos montes"), tendo invernos rigorosos, verões amenos e um outono longo - o que possibilita um amadurecimento lento das uvas. Este aqui é um vinho jovem produzido em 2008.

Por ser jovem, esperava um vinho de cor vermelha intensa, sem halo aquoso e mais ácido. Dito e feito. No nariz o vinho tem aromas de frutas frescas (a vinícola especifica cerejas, mas não pude percebê-las. Fiquei só na fruta fresca!). Senti, ao contrário, algo lembrando madeira, embora o fabricante não fale nada a respeito. Na boca, um vinho leve, com final curto e acidez interessante para acompanhar alguns queijos e massas com molho vermelho. Enfim, o vinho é simples, mas uma opção interessante para uma degustação descontraída e sem pretensões, como a nossa naquele dia.

4.7.09

Pizzato Reserva Merlot 2005


Esse é o 31º vinho avaliado pela Confraria Brasileira de Enoblogs, uma confraria virtual criada pelos confrades do Vinho para Todos e do Viva o Vinho. A cada mês um blogueiro da Confraria escolhe um vinho e o mesmo é avaliado por todos os blogs participantes. O vinho do mês de julho foi escolhido pelos amigos Claudio e Rafaela do Le Vin au Blog.

Este vinho é elaborado pela vinícola Pizzato, no Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul. Aliás, a região está prestes a receber o status de Denominação de Origem (veja mais aqui). O vinho é um "reserva", o que nesse caso particular significa que o mesmo estagiou por 5 meses em barricas de carvalho americano.

O vinho é bom, fácil de agradar e um representante fiel dos Merlots produzidos no Vale. Na taça tem uma cor vermelha, com tons voláceos. É um vinho chorão, com várias lágrimas escorrendo pela parede do copo. Na nariz, aromas de frutas maduras, algo doce e talvez especiarias (mas muito discreto). Na boca, persistem as frutas e a madeira está muito bem integrada ao conjunto. Acho que isso foi o ponto forte do vinho. Acidez no ponto e álcool controlado lhe dão certa elegância, mas o final é curto. De qualquer maneira, o vinho é fácil de beber, até certo ponto delicado e me parece harmonizar melhor com comida que com petiscos. A garrafa custou R$34. Experimente!


27.6.09

Angaro Malbec - Shiraz 2008


Tomei esse vinho na quarta-feira passada. Há pouco tempo havia comentado outro vinho da mesma linha, produzido pela Finca La Celia (relembre). Assim como o anterior, esse vinho pareceu-me muito agradável, fácil de beber e um bom custo-benefício, com uma garrafa, custando, em média, R$18.

O vinho é um corte (i.e. uma mistura) das uvas Malbec (a uva mais típica da Argentina) e Shiraz (ou Syrah, dá na mesma). Neste caso particular, as uvas são cultivadas no Valle del Uco, em Mendoza, Argentina. Trata-se de um lugar privilegiado na região e que possui uma combinação de solos pobres, noites muito frias e dias quentes. Excelentes condições para um amadurecimento lento e homogêneo das uvas nos vinhedos.

Como se esperaria de um vinho jovem, sua cor é vermelha, com reflexos violáceos. A presença da Shiraz traz ao nariz todas as notas doces e os aromas de especiarias. A Malbec dá um toque picante ao paladar, que é cheio (encorpado), quente e frutado. A Shiraz ameniza ainda a potência da Malbec, trazendo um equilíbrio interessante. O álcool destaca-se um pouco, mas nada que estrague a degustação do conjunto. Enfim, um vinho simples, mas muito bem cuidado. Um boa definição seria "honesto" e bom para o dia-a-dia.

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23.6.09

Luis Felipe Edwards Merlot Pupilla 2008


Outro vinho daquela noite agradável aqui em casa. Esse foi trazido pelo casal de amigos Adriano Melo e Viviane. É um Merlot elaborado pela vinícola Luis Felipe Edwards, um grande nome na produção moderna de vinhos no Chile. Na verdade, o vinho é um corte de 85% de uvas Merlot e 15% de uvas Cabernet Sauvignon. A linha Pupilla é a mais básica da casa, e mesmo assim, a julgar por este aqui, os vinhos tem um ótimo padrão. As uvas são cultivadas em vinhedo no Vale Central do Chile.

O vinho é bom e bem equilibrado. A Merlot contribui com sua doçura, trazendo à lembrança notas de frutas maduras. A presença discreta da Cabernet Sauvignon aporta alguns aromas de frutas frescas como morando e cereja. Percebi algo levemente herbáceo também. O vinho tem ainda taninos muito macios e álcool destacando-se um pouco, mas sem ser desagradável. Um pouquinho mais de acidez não faria mal, mas o vinho sem dúvida deve ser experimentado! Vale à pena.