29.12.09

Pesquera Crianza 2007


Em março deste ano estive em Portugal e Espanha (relembre). Na época, tomei vários vinhos portugueses e postei os mais interessantes aqui no De Vinho em Vinho. Anunciei que postaria os vinhos tomados na Espanha, mas o ritmo do trabalho foi tão intenso que não tive a oportunidade de degustar muitos. Contudo, degustei esse Pesquera em um restaurante com um amigo espanhol e, chegando ao hotel anotei minhas impressões, que ficaram perdidas até que as encontrei hoje pela manhã!

O vinho é um conhecido Ribera Del Duero, elaborado pelo Grupo Pesquera. Em sua elaboração vão 100% de uvas Tempranillo, que passam 18 meses em tonéis de carvalho americano e mais 6 meses em garrafa antes de sua comercialização.

O vinho tem cor rubi, com reflexos granada. No nariz há muita fruta madura (amora) e especiarias. Algo de
tabaco e baunilha também. Na boca é muito equilibrado e o álcool (14%) nem se nota. Destaco a elegância da madeira, deixando o vinho macio, com taninos redondos e uma textura aveludada. O final é de mediano a longo, com retrogosto tostado.

Talvez no ano que vem esteja melhor ainda a julgar pelos comentários de meus amigos espanhóis sobre a safra de 2
006, que aliás ganhou boas notas dos críticos.

28.12.09

Vinhos do Natal 2009 (I) - Estampa Reserve Assemblage 2006


Neste natal meus pais e minha irmã vieram a Goiânia, aproveitando o feriado para ficar mais com o netinho que chegou dois meses atrás (relembre). Como esperado, os almoços, conversas e jantares foram regados a vinhos, sempre tentando atender a idéia do De Vinho em Vinho: degustar vinhos acessíveis que custem até R$35. Em alguns casos, passamos da conta, como vocês verão nessa série de oito posts que começam com este Estampa Reserve Assemblage 2006.

Quem trouxe o vinho foi o meu velho, com boas expectativas. Em parte, elas foram atingidas! O vinho é elaborado pelas Viñas y Bodegas Estampa, com uvas provenientes do Valle de Colchagua, no Chile. Trata-se de um corte (i.e. uma mistura) interessante de 60% Carmèneré, 25% Cabernet Sauvignon e 15% Cabernet Franc. Na taça o vinho tem cor vermelho bem escuro, característico da Carmèneré e apresentava um halo aquoso bem modesto, tendendo ao laranjado. No nariz, muita fruta vermelha madura e notas de especiarias, chocolate e café torrado, o melhor do vinho para mim. Na boca, um deslize: o álcool sobrava e a acidez era demasiado baixa, deixando o vinho enjoativo e quente demais. O final é mediano, com frutas e algo tostado. Harmonizamos com uma tábua de queijos, mas, sendo um vinho gastronômico, ficaria bom mesmo com uma bela carne assada na brasa ou um cozido de carne.

Enfim, trata-se de um vinho
potente, com muita madeira. Não me admira que a revista Wine Spectator tenha conferido 86 pontos ao mesmo caldo da safra 2005, uma vez que ele é bem adequado ao paladar dos norte-americanos. Acho, contudo, que o vinho pode ficar melhor se aberto em 2011-2012. O vinho custa em média R$50.


5.12.09

Cono Sur Riesling 2007


Este é o 36º vinho degustado para a Confraria Brasileira de Enoblogs. A escolha foi do confrade Jean, do O Tanino.

O vinho é elaborado pela vinícola Cono Sur,
uma subsidiária da gigante Concha y Toro, mas que tem vida própria e vinhos costumam ser ótimos. Este não é diferente.

Trata-se de um branco de ótima qualidade. Aliás, tenho bebido bastante vinho branco neste último mês. Mas bem, na taça o vinho tem cor amarelo claro, com reflexos dourados. É ácido, frpostesco e com aromas cítricos deliciosos, além de algumas notas minerais e algo doce. Na boca é prevalece o frutado cítrico e aquele toque mineral. Ótimo para tomar num fim de tarde quente. Além disso, é um best buy, custando R$23 na Super Adega, aqui em Goiânia. Parabéns Jean, pela escolha! Acabo de tomar o Cono Sur Pinot Noir 2008, que comprei junto com este. Aguardem o post!

15.11.09

Vinhos Confraria Brasileira de Enoblogs


Olá pessoal!

Ando meio desaparecido por um motivo nobre: o
Miguel, meu filho, nasceu pouco menos de 1 mês atrás... assim todas as atenções andam voltadas para ele! Depois de quase 1 mês sem colocar um vinho aqui, resolvi postar os três últimos vinhos degustados para a Confraria Brasileira de Enoblogs. Embora os tenha provado, não havia encontrado tempo para colocá-los aqui... espero programar alguns posts para que o De Vinho em Vinho não fique tanto tempo sem atualização, embora peça um pouquinho de paciência nesses primeiros meses... sou pai de primeira viagem! rsrs.


Bem, vamos lá! O primeiro é o
Palo Alto Reserva 2007. Este foi o 33º degustado pela Confraria, uma sugestão do Alexandre, do Diário de Baco. Trata-se de um corte interessante de Cabernet Sauvignon, Shiraz e Carmenère. O vinho tem cor rubi, com aromas que lembram frutas maduras, como ameixa e também pimentão. Na boca é frutado e com um toque tostado, com taninos redondos. É um vinho interessante, embora o álcool se destaque um pouco e haja um amargor que me desagradou um pouco. Comprei por R$32 na Expand, em Goiâna.






O segundo é o conhecido
Miolo Seleção 2008, agora de cara nova e com uma alteração em sua composição. O vinho originalmente era envasado em outra garrafa (confira) e levava, em sua elaboração Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir (excluída a partir da safra de 2008). A sugestão foi do confrade do Avaliador de Vinhos.

É um vinho simples e, para ser sincero, não me agradou muito. Pareceu aguado... tenho dúvidas se o preferia como era. Enfim, o vinho tem cor vermelho claro, com aromas que lembram frutas frescas (framboesa) e só. Na boca, é leve, fácil de beber, com frutado prevalecendo. É um vinho simples, que pode agradar em uma festinha. Pelo preço que paguei, R$10 em uma promoção do Carrefour, está ok. Mas se tivesse que pagaro preço normal (uns R$20), compraria um argentino, como o Angaro (diversos cortes e safras).





O terceiro, e último desse
post, é o Salton Volpi Cabernet Sauvignon 2007. Este foi o 35ª vinho degustado para a Confraria, uma sugestão da Fabiana, do Escrivinhos. Já conhecia o vinho e tinha uma expectativa boa a seu respeito, que foi confirmada! Serviu para encobrir a má impressão do vinho nacional anterior.

O vinho tem um corte bem elaborado com 85% de Cabernet Sauvignon e os outros 15% divididos entre Cabernet Franc, Merlot e Tannat. Além disso, o vinho passa por um estágio de 6 meses em barricas de carvalho. O resultado é um vinho de cor vermelho escuro, com aromas elegantes de frutas vermelhas, tabaco e especiarias. Na boca, muito equilíbrio, acidez no ponto, taninos redondos e agradáveis. Retrogosto tostado e persistente. Prefiro o Volpi Merlot (confira), mas esse mostrou-se um vinho realmente bom. Paguei R$33 no Carrefour, em Goiânia.


16.10.09

Casal Garcia branco 2008


Finalmente coloco esse vinho verde aqui no De Vinho em Vinho. Os vinhos verdes são produzidos na região do Minho, no norte de Portugal, próximo à região do Douro. Há duas explicações para que o vinho seja chamado "verde" e nenhuma delas diz respeito a colheita de uvas ainda verdes! rsrs... a primeira diz que a denominação de vinho verde é devido ao fato do Minho ser uma região extremamente verde! Uma hipótese no mínimo curiosa. A outra explicação é que o vinho possui acidez elevada e leve efervescência (que os portugueses chamam de "agulhas"). As agulhas vêm de uma segunda fermentação na garrafa. Hoje em dia, os produtores acrescentam um pouco de CO2 no processo. Não sei que hipótese para a explicação do tipo do vinho é mais plausível, quem sabe algum(a) português(a) nos esclarece a questão?

O vinho Casal Garcia - que também pode ser tinto - é bem tradicional (existe desde 1939), sendo elaborado pela vinícola Aveleda. O rótulo representa uma renda antiga da família e simboliza a ligação à história da Aveleda e à tradição. O vinho tem cor amarelo palha, com "agulhas" visíveis. O nariz lembra frutas brancas ácidas como maçã verde e e lima, além de fermento (pão). Há ainda algo floral. Na boca, é um vinho bem leve, com acidez elevada, como deve ser um vinho verde e lembranças de lima e maçã. O final é curto, mas o vinho harmonizou muito bem com um escondidinho de camarão e mandioquinha, por limpar muito bem o palato a cada gole.

Enfim, é um vinho simples, fácil de agradar e que combina muito bem com os dias e noites quentes do verão que vem aí!